Padre Nilo Cavalcante destaca a força da fé e da escuta no cuidado aos enfermos
Capelão hospitalar da Arquidiocese de Campinas afirma que cada quarto de hospital pode se tornar um encontro com Cristo e convida os fiéis a viverem a esperança em meio ao sofrimento.
A presença da Igreja nos hospitais vai muito além da administração dos sacramentos. Ela se manifesta na escuta, no acolhimento e na esperança levada àqueles que enfrentam momentos de enfermidade. Essa foi a principal reflexão apresentada pelo Padre Nilo Cavalcante de Oliveira Júnior, vigário da Paróquia Santa Isabel e Santo Antônio de Sant'Ana Galvão, da Arquidiocese de Campinas, durante entrevista ao programa Megafone, da Rádio e TV Fé e Luz.
Além do trabalho paroquial, Padre Nilo exerce a missão de capelão hospitalar em Campinas, acompanhando pacientes, familiares e profissionais da saúde em diferentes hospitais da cidade.
Uma vocação que nasceu ainda na juventude
Natural de Brasília, Padre Nilo contou que sua primeira inspiração vocacional surgiu ainda na adolescência, ao conviver com os frades capuchinhos de sua paróquia.
Posteriormente, já vivendo em Indaiatuba (SP), encontrou na Paróquia Nossa Senhora da Candelária o ambiente onde amadureceu definitivamente seu chamado ao sacerdócio diocesano.
Após participar dos encontros vocacionais, ingressou no seminário da Arquidiocese de Campinas, passando pelo Propedêutico, Filosofia e Teologia até sua ordenação sacerdotal.
"A vocação nasce da nossa própria história. É no chão onde colocamos os pés que Deus nos chama."
A formação para o sacerdócio
Durante a entrevista, Padre Nilo explicou que a preparação para o ministério sacerdotal vai muito além dos estudos acadêmicos.
Segundo ele, a vida no seminário ensina convivência, responsabilidade, trabalho em equipe e espírito comunitário.
Além das disciplinas de Filosofia e Teologia, os seminaristas também aprendem a dividir tarefas domésticas, administrar a rotina da casa e construir relacionamentos fraternos.
"A gente aprende a viver em comunidade. Isso faz parte da formação tanto quanto os estudos."
O desafio de assumir uma paróquia
Ao recordar seus primeiros anos como pároco, especialmente na recém-criada Paróquia São Judas Tadeu, Padre Nilo contou que um dos maiores desafios foi descobrir que a missão sacerdotal envolve também administração, organização e diálogo constante com a comunidade.
Segundo ele, a experiência ensinou importantes lições sobre escuta, perdão e trabalho conjunto.
"O povo de Deus tem uma sabedoria que não se aprende nos livros. Aprendi muito ouvindo a comunidade."
A missão nos hospitais
Grande parte da entrevista foi dedicada ao trabalho desenvolvido como capelão hospitalar.
Padre Nilo explicou que sua missão consiste em visitar pacientes internados, oferecer os sacramentos, escutar famílias e também acolher médicos, enfermeiros e demais profissionais da saúde.
Para ele, o hospital inteiro faz parte dessa experiência de cuidado.
"Não é apenas o paciente que precisa de acolhimento. Toda a equipe que trabalha ali também necessita de cuidado e esperança."
Segundo o sacerdote, muitas visitas são solicitadas pelos próprios familiares, que encontram na presença da Igreja um sinal de conforto e proximidade de Deus.
"Cada quarto é uma capela"
Um dos momentos mais marcantes da entrevista foi quando Padre Nilo compartilhou a maneira como enxerga espiritualmente sua missão.
Segundo ele, cada ambiente hospitalar revela profundamente a presença de Cristo.
"Cada hospital é uma paróquia. Cada quarto é uma capela. Cada cama é um altar. E cada paciente é uma hóstia viva."
Para o sacerdote, essa compreensão transforma completamente o olhar sobre o sofrimento, permitindo reconhecer a dignidade presente em cada pessoa enferma.
O valor da escuta
Padre Nilo ressaltou que o principal papel do capelão hospitalar não é falar, mas escutar.
Muitas vezes, explicou, o silêncio e a simples presença junto ao paciente comunicam mais esperança do que qualquer discurso.
"O padre não vai ao hospital para falar muito. Antes de tudo, ele vai para ouvir."
Segundo ele, quando o sacerdote consegue enxergar primeiro a pessoa humana, antes mesmo da condição religiosa, torna-se possível experimentar de forma concreta a presença de Deus naquele encontro.
A verdadeira missão da Unção dos Enfermos
Outro tema abordado foi o significado do sacramento da Unção dos Enfermos.
Padre Nilo lembrou que ainda existe o equívoco de associar o sacramento apenas aos momentos finais da vida.
Na realidade, explicou, a unção é destinada a todo fiel que enfrenta enfermidades graves ou situações delicadas de saúde física ou emocional.
Inspirando-se na parábola do Bom Samaritano, destacou que o óleo utilizado na celebração simboliza o cuidado de Cristo que alivia as feridas do corpo e da alma.
"O sacramento existe para fortalecer quem sofre, não apenas para os últimos momentos da vida."
Um convite aos leigos
Durante a entrevista, o sacerdote também incentivou os leigos a participarem da pastoral hospitalar.
Segundo ele, há inúmeras formas de colaborar, seja por meio da oração, da escuta, da visita aos enfermos, do apoio às famílias ou de ações solidárias realizadas pelos próprios hospitais e paróquias.
"O importante é encontrar a pessoa humana. Onde encontramos o ser humano, encontramos também Cristo."
Uma mensagem de esperança
Ao encerrar a entrevista, Padre Nilo deixou uma reflexão para todos que enfrentam momentos difíceis.
Ele convidou os fiéis a não permitirem que o medo domine a própria vida.
"Pare de criar fantasmas. A vida é um dom maravilhoso. Quando aprendemos a enxergar Deus presente em cada situação, até o sofrimento ganha um novo sentido."
Para o sacerdote, viver com esperança não significa ignorar as dificuldades, mas reconhecer que Deus continua caminhando ao lado de cada pessoa, transformando até mesmo os momentos mais desafiadores em oportunidades de encontro, amadurecimento e fé.