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Toca de Assis celebra 30 anos de missão em Campinas com adoração, fraternidade e cuidado aos mais pobres
Em entrevista, irmã Ana Paula Rodrigues apresentou os pilares espirituais da comunidade, recordou sua trajetória vocacional e convidou a sociedade a combater a indiferença por meio do voluntariado e da solidariedade
Por André Moreira Augusto
Publicado em 06/09/2026 17:09
Novidades

A missão da Toca de Assis e o compromisso da comunidade com as pessoas em situação de rua foram apresentados pela irmã Ana Paula Rodrigues durante entrevista conduzida por André Augusto. A religiosa falou sobre sua vocação, as experiências acumuladas ao longo de 23 anos de vida comunitária e a presença de três décadas da instituição em Campinas.

Segundo irmã Ana Paula, o carisma da Toca de Assis está fundamentado em três pilares: a adoração ao Santíssimo Sacramento, a vida fraterna inspirada em São Francisco e Santa Clara de Assis e o cuidado com as pessoas abandonadas e em situação de vulnerabilidade. Esses princípios orientam tanto a espiritualidade quanto as ações sociais realizadas diariamente pela comunidade.

A vocação da religiosa começou a se manifestar ainda na adolescência. A participação em grupos de jovens, o trabalho em uma rádio comunitária e o testemunho dos frades capuchinhos no Maranhão contribuíram para o discernimento. A convivência familiar e a leitura dos livros “Irmão de Assis” e “História de uma Alma” também fortaleceram o desejo de dedicar a vida ao serviço de Deus e da humanidade.

Irmã Ana Paula conheceu a Toca de Assis em 2002, por meio de uma amiga que acompanhava a programação da Canção Nova. No ano seguinte, aos 18 anos, ingressou na comunidade. Conforme relatou, aquele encontro representou a descoberta de seu lugar no mundo.

Ao longo de sua trajetória, a religiosa passou por diferentes casas e frentes missionárias. Sua primeira experiência aconteceu em Fortaleza, em uma unidade que acolhia 23 mulheres em situação de rua. Ela também trabalhou em casas de acolhimento, triagem e atendimento conhecidas como Nossa Senhora, Mãe dos Pobres e Bom Samaritano.

Em cidades como Recife e Campinas, algumas dessas iniciativas chegaram a atender cerca de 120 pessoas por dia, oferecendo banho, alimentação e assistência básica. Para a religiosa, entretanto, o trabalho não se limita às necessidades materiais.

“Além da alimentação, as pessoas em situação de rua necessitam de atenção, dignidade e escuta”, destacou durante a entrevista. A proposta é oferecer tempo, afeto e um olhar humanizado, reconhecendo a imagem de Deus em cada pessoa atendida.

Trabalho exige atenção a novas realidades

A irmã também explicou que a atuação nas ruas se tornou mais complexa com o passar dos anos, principalmente em razão do crescimento do consumo de substâncias químicas. Essa realidade exige preparação, prudência e novas formas de abordagem por parte das equipes missionárias.

Entre as experiências marcantes, ela recordou a reação emocionada de um idoso ao receber uma marmita e o encontro com uma gestante em situação de vulnerabilidade na região da Cracolândia, em São Paulo. Na ocasião, os integrantes da comunidade pararam para ouvir a mulher e rezar por ela.

Para irmã Ana Paula, esses encontros demonstram que um gesto aparentemente simples pode devolver a alguém o sentimento de ser visto e respeitado. A mensagem central é o combate à indiferença, especialmente diante daqueles que sofrem sem receber atenção da sociedade.

Leigos são fundamentais para a missão

A participação dos leigos é considerada indispensável para a continuidade das atividades. Amigos, benfeitores, voluntários e profissionais de diferentes áreas ajudam a manter as casas e a ampliar a assistência oferecida.

Entre as formas de colaboração estão as doações mensais, a arrecadação de alimentos não perecíveis e produtos de higiene, o auxílio em trabalhos manuais e a prestação voluntária de serviços profissionais. Médicos e dentistas, por exemplo, podem contribuir oferecendo consultas às pessoas acolhidas.

Também é possível agendar visitas às casas para conhecer o trabalho, participar de momentos de oração e identificar as necessidades específicas de cada unidade. De acordo com a religiosa, cada missão possui uma realidade própria e, por isso, o contato direto é importante antes da realização de campanhas ou doações.

A atuação da Toca de Assis também dialoga com o tema da moradia, abordado pela Campanha da Fraternidade de 2026. Durante a entrevista, irmã Ana Paula citou o exemplo de uma casa de acolhimento em Macaé, no Rio de Janeiro, que recebeu seis máquinas de lavar roupas como resultado de uma mobilização solidária.

Templo Votivo mantém adoração diária em Campinas

Nascida em Campinas, a Toca de Assis procura desenvolver sua missão em comunhão com a Igreja local, em obediência ao bispo e em colaboração com sacerdotes e paróquias. Um dos principais pontos dessa presença é o Templo Votivo do Santíssimo Sacramento.

Localizado na região central de Campinas, na mesma rua da Catedral Metropolitana e próximo ao Mercado Municipal, o templo pertence à Arquidiocese e é cuidado pelas Filhas da Pobreza do Santíssimo Sacramento, ramo feminino da Toca de Assis.

O espaço permanece aberto ao público para a adoração eucarística e para as celebrações. As missas são realizadas de segunda-feira a sábado, às 7h30, e aos domingos, às 8h.

As pessoas interessadas em colaborar podem consultar os endereços e contatos das missões no site oficial da Toca de Assis. As atividades das irmãs também são divulgadas pelo Instagram @tocadeassisirmas. Para informações relacionadas ao discernimento vocacional, a comunidade mantém o perfil @vocacional.tocadeassisirmas.

A entrevista terminou com um momento de oração conduzido por irmã Ana Paula. Diante de Jesus presente no Santíssimo Sacramento, ela rezou especialmente pelas pessoas que enfrentam dificuldades emocionais e financeiras, pelos sacerdotes e por aqueles que ainda não reconhecem Cristo na Eucaristia.

 

No encerramento, André Augusto agradeceu o testemunho da religiosa e reforçou o convite para que cada pessoa reconheça Jesus não apenas no Sacramento, mas também no rosto daqueles que mais necessitam de acolhimento, escuta e dignidade.

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