Da letra no papel à primeira música gravada: como ele conseguiu
Em entrevista ao Memórias e Melodias, Celso Tellis conta como transformou poemas em canções, encontrou parceiros e passou a ouvir suas composições na voz de outros artistas.
“Para cantar você tem que nascer de novo. Mas a letra está bacana.” A frase, ouvida por Celso Tellis ao apresentar uma de suas músicas, expõe uma dificuldade que acompanhou seus primeiros passos na composição: ele conseguia escrever e criar melodias, mas não se sentia à vontade com a própria interpretação.
A saída foi encontrar parceiros que ajudassem suas músicas a ganhar outras vozes. Em entrevista ao programa Memórias e Melodias, da Fé e Luz, o compositor falou sobre aprendizado, primeiras gravações e a parceria com a cantora Jéssica Guimarães.
Contador de profissão, Celso começou escrevendo poemas. Os elogios de amigos estimularam a vontade de transformar os versos em música, mesmo sem conhecer, naquele momento, os caminhos da composição.
“As primeiras não saíram tão legais”, relembrou. A disposição para continuar tentando o levou a estudar a estrutura das canções e, mais tarde, a participar da mentoria do compositor Vini Show. Segundo Celso, a experiência ajudou a compreender a diferença entre escrever para uma pessoa e criar uma música capaz de se conectar com um público maior.
Uma boa ideia precisava ser ouvida
Além de aprimorar as composições, Celso precisava encontrar uma maneira de apresentá-las. Foi nesse processo que o produtor Rafael Tuzo se tornou um parceiro importante, ajudando a transformar letras e melodias em guias — gravações de referência usadas para mostrar uma canção a possíveis intérpretes.
“Eu comparo o compositor como um engenheiro. Às vezes ele não sabe cantar, mas ele sabe como que ele quer que a música seja feita”, explicou.
A parceria também abriu portas para as primeiras gravações. Durante a entrevista, Celso citou trabalhos nas vozes de Maluane e Tiago Quirino e destacou a satisfação de encontrar artistas dispostos a apostar em suas músicas.
Uma dessas conquistas rendeu uma lembrança especial: durante uma pescaria com amigos, ele ouviu no rádio uma composição sua gravada por Tiago. O reconhecimento virou motivo de comemoração entre o grupo.
Uma parceria que trouxe novos projetos
Outro capítulo dessa trajetória é o trabalho com Jéssica Guimarães. Ao descobrir mais sobre a relação dela com a música, Celso a desafiou a compor. A troca deu origem a “Saudade não dá trégua” e abriu espaço para outros projetos, como “Sozinha na Calçada”.
Segundo ele, Jéssica estava havia 19 anos sem cantar. A parceria passou a representar um incentivo para os dois: enquanto ela retomava o canto, ele encontrava uma voz para suas composições.
“Ela está dando voz às minhas letras, às minhas composições”, afirmou.
Na conversa, Celso também apresentou a proposta de “Desencanto”, anunciada como o próximo lançamento da parceria. Composta por ele, a música aborda a superação após o fim de um relacionamento, explorando o momento em que quem sofreu decide se valorizar e seguir em frente.
Fazer música também é aproveitar o caminho
Apesar da alegria com as gravações, Celso mantém os pés no chão. A composição continua sendo uma atividade que concilia com o trabalho de contador, sem a obrigação de transformá-la em sua principal fonte de renda.
Para ele, os encontros, os ensaios e o processo de gravação já fazem parte da realização. A possibilidade de alcançar projeção nacional permanece como um sonho, mas não é condição para valorizar o que vem construindo.
“A gente tem que fazer o que a gente gosta e fazer bem feito, o resultado é consequência”, resumiu.
Assista à entrevista completa, de 26 minutos, com Celso Tellis no Memórias e Melodias e conheça as histórias por trás de suas composições.